A edição de Playboy com a capa de Mônica Velloso chegou hoje às bancas. O atraso da revista se deu, dizem, devido a problemas no tratamento de imagem. Leia-se: o Photoshop comeu solto.
Existem certas vantagens quando se vive em uma Banana Republic: as mulheres envolvidas em escândalos sexuais geralmente valem uma capa da Playboy. A exceção à regra foi a ministra da fazenda do Governo Collor, Zélia Cardoso de Mello, que manteve um caso com o ex-ministro da Justiça Bernardo Cabral. Essa honrava no máximo um artigo na National Geographic.
Mal chegou à banca da chapelaria do Congresso, a edição deste mês de Playboy já se esgotou. Senadores já deram sua opinião sobre as fotos de Mônica Velloso à imprensa. E a piada da capa já foi requentada. (NOTA: eu acho incrível como as coisas podem ficar mais estapafúrdias do que já são).
Mas tudo tem um começo. Na posse dos deputados e senadores, que ocorre de quatro em quatro anos, duas cenas são muito típicas deste dia: a manada de caminhões de cabos eleitorais de todo o país que invadem a Esplanada do Ministério e o verdadeiro casting de garotas vestidas com transparências e decotes nos salões do Congresso. Descole uma credencial de imprensa e um pack de 6 cervejas e você jura estar no Hooter's.
Você tem um Congresso Nacional com aquele formato fálico e quer se sentir ofendido com este fato? Pelo amor de Deus! Sinta-se ofendido pelas garotas de Geane Mary Corner, a mulher que "forneceu mão-de-obra" para eventos libidinosos que vieram à tona em 2005 no meio de todo o furduncio do Valereoduto e dos dólares na cueca. Você já viu alguma delas em algum ensaio fotográfico? Ou em algum programa de tarde falando em fazer curso de teatro?
O que será de Mônica Velloso depois do ensaio para Playboy? Jornalista formada, já trabalhou como apresentadora do jornal local da Rede Globo e possui uma produtora de TV. Qual a chance de uma joint-venture com as Brasileirinhas ou a Buttman?
A capa da Playboy parece o desfecho de uma farsa teatral. O escândalo acabou com uma capa de revista de mulher pelada, bem melhor que pizza. O ridículo é tanto que a capa não rende nem uma mínima fama de corno manso para Renan Calheiros. Só resta ao senador exibir aquele sorriso que em inglês se traduz: "Been there, done that!".
terça-feira, 9 de outubro de 2007
quinta-feira, 4 de outubro de 2007
Estarei escrevendo um post
"E aí... vamos fazer um blog?" - Dani já estava me falando disso fazia tempo. Eu dizia vamos, mas eu queria dizer "estarei fazendo". Sim, eu penso de um jeito esquisito. De vez em quando eu penso escrito. Meio que legendado ou com balão. E eu pensei "estarei fazendo".
O governador Arruda proibiu o uso do gerundismo. E isso merecia eu abrir este blog logo de uma vez. Era um alvo fácil demais. Se eu trabalhasse para um jornal dava um jeito de entrevistar o Pasquale Neto agora. Mas infelizmente não sou parente de nenhum dono de conglomerado de comunicação (meu avô é pastor, mas ele não tem uma rede de TV). Então resolvi escrever isso logo de uma vez.
Até agora eu "estaria escrevendo". Mas agora estou. E agora também. E daqui há 3 páragrafos, estarei escrevendo (assim mesmo sem aspas). E eu sou contra a medida do governador. Trata-se de uma agressão à liberdade de expressão. Eu aprendi na faculdade de jornalismo que quando isso acontece a gente dá piti.
Meu caro leitor, pense comigo mesmo: quantas coisas você vai "estar fazendo" essa semana? Vai pagar alguma conta? Entregar algum trabalho da faculdade? Redigir um documento? Este mês você "estará começando" a malhar? Ainda este ano você "estará parando" de fumar? E até você morrer? Plantar uma árvore, ler "Guerra e Paz", mudar para a Europa?
Esta medida inocente do governador terá um impacto futuro na literatura brasiliense. De onde saíram os grandes nomes da litaratura do país? Do funcionalismo público. Eu duvido que seja possível escrever um novo "Grande Sertão Veredas" e agilizar a máquina estatal. Além disso escritores sempre "estarão escrevendo".
O dose são os jornais no dia dizendo que o governador aboliu um tempo verbal. Gerúndio é uma forma nominal. Alguém "estaria fazendo" um artigo para o Observatório da imprensa discutindo isso? O governador deveria proibir construções como "ninguém merece" ou "tudo de bom". Outra medida seria instituir o "assaz" como advérbio de intensidade obrigatório em documentos oficiais ("assaz" é uma palavra tão boa de ser usada e que quase não se vê).
Pelo amor de Deus! O gerundismo não é um erro de português. É um estado de espírito. Dizem que somos o país do futuro, mas nós somos o país do gerundismo. Nós temos uma pá de novelas e nenhuma ficção científica (de respeito). Nós vamos ganhar a Copa e ser ouro no pan, mas um dia "estaremos sendo" um país onde as coisas podem ser levadas a sério. Até isso acontecer eu estarei rindo muito!
O governador Arruda proibiu o uso do gerundismo. E isso merecia eu abrir este blog logo de uma vez. Era um alvo fácil demais. Se eu trabalhasse para um jornal dava um jeito de entrevistar o Pasquale Neto agora. Mas infelizmente não sou parente de nenhum dono de conglomerado de comunicação (meu avô é pastor, mas ele não tem uma rede de TV). Então resolvi escrever isso logo de uma vez.
Até agora eu "estaria escrevendo". Mas agora estou. E agora também. E daqui há 3 páragrafos, estarei escrevendo (assim mesmo sem aspas). E eu sou contra a medida do governador. Trata-se de uma agressão à liberdade de expressão. Eu aprendi na faculdade de jornalismo que quando isso acontece a gente dá piti.
Meu caro leitor, pense comigo mesmo: quantas coisas você vai "estar fazendo" essa semana? Vai pagar alguma conta? Entregar algum trabalho da faculdade? Redigir um documento? Este mês você "estará começando" a malhar? Ainda este ano você "estará parando" de fumar? E até você morrer? Plantar uma árvore, ler "Guerra e Paz", mudar para a Europa?
Esta medida inocente do governador terá um impacto futuro na literatura brasiliense. De onde saíram os grandes nomes da litaratura do país? Do funcionalismo público. Eu duvido que seja possível escrever um novo "Grande Sertão Veredas" e agilizar a máquina estatal. Além disso escritores sempre "estarão escrevendo".
O dose são os jornais no dia dizendo que o governador aboliu um tempo verbal. Gerúndio é uma forma nominal. Alguém "estaria fazendo" um artigo para o Observatório da imprensa discutindo isso? O governador deveria proibir construções como "ninguém merece" ou "tudo de bom". Outra medida seria instituir o "assaz" como advérbio de intensidade obrigatório em documentos oficiais ("assaz" é uma palavra tão boa de ser usada e que quase não se vê).
Pelo amor de Deus! O gerundismo não é um erro de português. É um estado de espírito. Dizem que somos o país do futuro, mas nós somos o país do gerundismo. Nós temos uma pá de novelas e nenhuma ficção científica (de respeito). Nós vamos ganhar a Copa e ser ouro no pan, mas um dia "estaremos sendo" um país onde as coisas podem ser levadas a sério. Até isso acontecer eu estarei rindo muito!
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